O uso de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa (IA), como o Chat GPT e o Gemini, já é uma realidade dentro das empresas. Uma parcela expressiva de colaboradores já utiliza a IA para redigir e-mails, analisar dados, criar relatórios e programar códigos. Entretanto, a mesma tecnologia que impulsiona a produtividade traz riscos jurídicos e operacionais se for utilizada sem diretrizes claras.

Vazamento de Dados e Violação da LGPD

Ao inserir informações em ferramentas gratuitas de IA, o colaborador pode estar, sem saber, alimentando a base de dados pública da plataforma. Se dados pessoais de clientes, planilhas financeiras ou estratégias de mercado forem expostos, a empresa pode violar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), sujeitando-se a multas pesadas e processos judiciais.

Violação de Segredos de Negócio e Propriedade Intelectual

Informações estratégicas, patentes em desenvolvimento ou códigos-fonte inseridos em chats de IA perdem o caráter de confidencialidade. Além disso, há um debate global sobre os direitos autorais de conteúdos gerados por IA, o que pode gerar disputas jurídicas caso a empresa tente registrar um produto gerado integralmente por essas ferramentas.

Alucinações da IA e Erros Técnicos

Sistemas de IA generativa são probabilísticos, o que significa que eles podem criar informações falsas com aparência de verdade — fenômeno conhecido como “alucinação”. Se um colaborador utilizar um dado incorreto gerado pela IA em um relatório financeiro ou em uma consultoria técnica para um cliente, a empresa responderá civilmente pelos danos causados por essa negligência.

Viesses Estruturais e Discriminação

Os modelos de IA aprendem com dados históricos da internet, que muitas vezes contêm preconceitos. O uso dessas ferramentas em processos de recrutamento, seleção ou avaliação de desempenho sem a devida supervisão humana pode replicar condutas discriminatórias, gerando passivos trabalhistas e crises reputacionais.

O que deve conter um Código de Conduta de IA?

Um documento de governança voltado para a Inteligência Artificial deve equilibrar a inovação com a segurança jurídica. Ele deve ditar claramente as regras do jogo para os colaboradores, abordando os seguintes pilares:

  • Classificação de Dados: Identificar quais informações são estritamente proibidas de serem inseridas nas ferramentas (dados de clientes, senhas, propriedade intelectual, termos confidenciais).
  • O Princípio da Supervisão Humana: Determinar que nenhuma entrega baseada em IA pode ser enviada a clientes ou publicada sem a revisão e validação crítica de um profissional humano.
  • Transparência: Definir em quais situações o uso da IA deve ser reportado à liderança ou sinalizado para o cliente final.
  • Contas Corporativas vs. Contas Pessoais: Estabelecer diretrizes sobre o uso de versões pagas/corporativas (que geralmente possuem termos de privacidade mais rígidos) em detrimento das versões gratuitas e públicas.
  • Sanções Disciplinares: Deixar claro quais são as penalidades em caso de descumprimento das regras, em conformidade com a CLT e as políticas internas da empresa.

A criação de uma política interna de IA requer uma análise minuciosa do modelo de negócios da empresa, das ferramentas utilizadas e do perfil dos colaboradores. A atuação de do DH Law na área de compliance permite desenhar um Código de Conduta que protege a operação, mitiga riscos trabalhistas e de responsabilidade civil, e garante que a inovação caminhe lado a lado com a segurança jurídica.